Mercado Baiano de TI. Qual a direção?
O mercado de TI aqui na Bahia já foi mais aquecido. Afinal aqui já houve dois grandes bancos (Econômico e Baneb), todo um pólo petroquímico com administração localizada, empresas grandes com decisões locais, como Odebrecht e Paes Mendonça, além de todos os centros de dados de grandes empresas locais, como a Coelba. Mas isso já foi há algum tempo. Hoje tudo isso praticamente acabou. Algumas (poucas) empresas do pólo teimam em manter o centro de decisões aqui, bancos já não existem e centros de decisões de grandes empresas muito menos.
Como São Paulo é o centro nervoso financeiro brasileiro, e lá estão as grandes empresas do Brasil, fica difícil competir com ele neste aspecto. Ele atrai naturalmente todas as grandes empresas, inclusivem as outroras baianas. Ou então as adquirem. E se lá em São Paulo, e em todo o sudeste, estão as grandes empresas, certamente as empresas brasileiras mais competitivas de tecnologia se concentram lá, afinal todas as decisões acontecem lá e são realizadas lá mesmo, fazendo com que o dinheiro permaneça lá, juntamente com todo o investimento tecnológico, otimização de processos e qualificação de profissionais inerente a esta estrutura.
Então o que sobrou para nós, baianos? Para desenvolvimento de software e serviços agregados, hoje o governo é o principal cliente de um grande número de empresas de informática baiana, aliás atualmente quase todas pequenas. E ainda tem empresas de outro estado, principalmente do sudeste brasileiro, que vem aqui brigar por esta pizza “brotinho” tão disputada a tapas e beijos pelos empresários locais.
Não precisa ser um gênio para ver que a tendência do mercado baiano de informática é ser “engolido” pelas empresas do sudeste e isso de médio a curto prazo. Não podemos competir com elas em nenhum ramo tecnológico, nem em formação de profissionais, pois tudo acontece por lá. Então, se tudo continuar como está, essa é a tendência.
Mas, se mudarmos o foco, poderemos sim postergar esta tendência e aumentar, talvez até consideravelmente, a nossa sobrevida. O foco que temos que seguir tem muito a ver com nosso ponto forte na indústria da informática: mão-de-obra barata e talentosa.
Sem competir com o pessoal do sudeste, até para não despertar o(s) gigante(s) adormecido(s), podemos estabelecer parcerias com empresas de lá desta região no intuito de terceirizarmos a fase mais dispendiosa em um processo de desenvolvimento de software: a codificação e testes. Se funciona para a Índia, porque não para nós? Temos mão-de-obra relativamente barata e podemos nos preparar para prestar este tipo de serviço a empresas grandes do sul/sudeste, tal qual a India faz com os Estados Unidos, reduzindo o custo delas e tornando-as mais competitivas, graças aos baixos preços que temos condições de praticar.
Isto se chama de nearshore. Com isso poderemos nos fortalecer e dar grande vazão à mão-de-obra local, além de trazer divisas para o nosso estado. Podemos até estender a nossa visão para países próximos ou distantes (neste caso seria offshore), mais aí exige uma maior preparação e qualificação empresarial neste sentido.
Outra solução seria o desenvolvimento de produtos específicos de software para atender o vasto mercado brasileiro, tais como software de pontos de venda de mercados, de lojas, softwares de soluções de CRM, de gestão de hotéis, hospitais, concessionárias, restaurantes, e até pequenos ERPs, porque não? Temos talento para criar e campo para pesquisar melhores soluções. Além de preço baixo para baratear o nosso custo de produção. Fora as vantagens de se montar a baixo custo, toda uma infraestrutura de atendimento e distribuição na região, atendendo online todo o país. Este pode ser o nosso ponto forte, bem como a salvação do mercado local de TI.



Mao de obra barata porque os profissionais daqui nao se dao ao respeito. Se prostituem por pouco, cedendo aos donos de empresas. Temos condicoes de nos unir e exijir mais. Quem paga nosso investimento em carreira e formacao?
O ruim de produto de software é a pirataria. Acredito que o país não esteja preparado para isso, mas é uma boa idéia que pode ir amadurecendo.
Mas, de qualquer maneira, acho que qualquer coisa que se queira fazer para incrementar o mercado tem que ser em conjunto com o governo do estado, pois aí ficaria mais fácil de conseguir financiamentos e negociações com empresas do eixo S/SE.
Alberto, outro dia vi uma discussão parecida em um forum. Não ganhamos o que investimos em nós, nem tampouco o que valemos. Ganhamos de acordo com o valor agregado do nosso trabalho, com o valor que movimentamos. Afinal é por isso que um jogador de futebol, que muitas vezes mal completou o primário, pode ganhar uma fortuna. Não pelo que ele sabe ou estudou, mas pelo valor que ele movimenta.
Grande Wérther como vai? Parabéns pela matéria interessante e de grande valia para o mercado de ti bahiano.
Sou bahiano e fico triste em saber que o nosso mercado não progrediu muito durante esses três anos que me mudei para São Paulo continuando a andar com passos de tartaruga.
Não dá para esconder que no mercado aqui do sudeste nos damos ao luxo até de escolher em que projeto ou consultoria atuar. Todo o mundo já tem o mercado de serviços, principalmente o de tecnologia da informação como negócio rentável e agregadores direta ou indiretamente em outros setores da nossa economia. Afinal de contas a informação é valiosa para as tomadas de decisões estratégicas. Os governantes gastam tanto com o carnaval, por que não ter a mesma postura com o tão falado pólo tecnológico que não passou de especulação. A comunidade de ti, estudantes, profissionais e apreciadores podem dar a sua contribuição qualificando cada vez mais a mão obra boa que temos a oferecer. Não é caso de só cobrar das autoridades, mas é preciso mais dinamismo por parte dos mesmos para aquecimento do setor e aproveitamento dessa boa mão de obra, uma vez que eles são clientes ativos do setor.
Vale a pena conhecer o modelo adotado por Pernambuco no projeto C.E.S.A.R e conferir que é possível gerar empregos e oportunidades na área de TI quando existe uma parceria forte entre Governo, Academia e Iniciativa Privada.
Se formos adotar uma direção, recomendo que seja analisado este case com o intuito de aproveitar o que há de melhor.
Creio que mais que um lugar, o concreto mesmo são as idéias. Até o momento vivemos a construção de lugares excelentes, ao invés do mais simples possível, que pudesse dar vazão às idéias e movimentasse pessoas.
Mais do que o simples e puro discurso, a saída é partir para a ação concreta.
A coisa por si só, em nossa terra, é de uma complexidade ímpar…. infelizmente. Mas, vamos à luta, enquanto houver os Werthers da vida, eu tenho esperança.
Fala meu caro Wether, acredito que as empresas aqui do nordeste estão começando a se tocar que recebem do profissional exatamenteo montante que está disposta a pagar pelo mesmo. Quanto a tentar trazer o modelo da India para aqui seria mais complicado, pois para um Indiano ir para o USA é mais difícil do que um nordestinoir para São Paulo.
Grande abraço meu caro.
Terceirizacao de terceirizacao? Aqui na Bahia já existe terceirização. Quer melhor estratégia que contratar 2 ou 3 estagiários pelo preço de um bom profissional de TI. Acredito que essa ideia da India realmente nao seja uma boa. Mas quanto aos aspectos de projetos específicos vejo futuro.
Falta valorizar não só o bom potencial profissional baiano, mas agrupar os bons profissionais que temos em grandes projetos que possamos ter.
O nosso mercado de TI foi um dos fatores que me fizeram mudar de ramo! Agora tenho uma pousada em Morro de São Paulo!
Fernando, acredito que não deva ser assim. A gente ganha pelo valor que a gente agrega, explicitamente pelo dinheiro que movimentamos para quem compra nossos serviços, não pelo que a gente vale ou merece. Olha o exemplo que dei do jogador de futebol.
Abraços e valeu pela opinião.
Quanto à Índia, quis dar apenas o exemplo de que temos bons profissionais com custos menores que o do sudeste (ou não?). Afinal aqui não tem grandes empresas que possam fazer que o nosso serviço agregue o valor devido. Sendo assim, podemos fornecer serviços especializados para lá, que é onde está o maior pólo de serviços de TI. E isso é vantagem financeira para eles. E daí que seja terceirização de terceirização? Claro que exploração de estagiário não vale nesta conta, mas aí depende dos escrúpulos do empresário.
Sinceramente as medidas sugeridas no post não apresentam o menor sentido. Ceder à idéia de mão de obra ‘barata e talentosa’? Eu prefiro é sair do estado a ter que se sujeitar a esta palhaçada. Na Bahia há tanto a prostituição da profissão por profissionais, como um ciclo vicioso de empresas de pouco valor agregado que repassam seus problemas (ou não) aos funcionários.
Ótimo assunto este que você puxou, Werther. No campo mais estratégico, concordo com a opinião de Grinaldo: sem investimento e incentivo público bem pensado, não desenvolveremos uma capacidade regional, como o C.E.S.A.R. proporcionou a Pernambuco. Por outro lado, pensando em inciativas de empresas, individuais ou em pequenos grupos, vejo a prestação de serviços online (SaaS, cloud computing) como uma saída em que podemos investir localmente e vender globalmente.
Quero propor um olhar por outro prisma.
Há cerca de quatro décadas atrás, (quando comecei a trabalhar com computadores) os main-frames tinham 32K de memória. A mudança no ferramental continua acelerada e irreversível.
Os clientes aceitavam os sistemas desenvolvidos pelos “genios” desenvolvedores com gratidão. Os critérios de aceite do usuário atualmente estão redigidos em contratos e alinhados a multas diversas.
Os “modelos” das soluções eram classificados de forma ordotoxa afim aos nichos das três grandes empresas então exitentes: IBM, Burroughs (hoje Unisys) e Digital. A interoperabilidade explodiu os muros que delimitavam estas “propriedades”.
Os ambientes de produção (CPD), exigiam volumes de investimentos em niveis altos, o que excluiam as médias e pequenas empresas. Atualmente um empreendedor de forma isolada, fazendo uso de um microcomputador e linguagens de desenvolvimento d última gerãção podem obter excelentes resultados de negócios atendendo apenas 3 clientes.
As negociações comerciais visando firmação de acordos e contratos eram feitas (quase exclusivamente) em escritórios suntuosos durante reuniões agendadas. Atualmente as partes se encontram para um almoço ou jantar para “bater o modelo” sobre o que já foi entendido e consensuado através de mensagens trocadas pela Internet.
Então mudanças expressivas ocorreram desde a capacidade de oferta até o nivel de demanda do setor usuário, passando pelo estilo de produção, pela potencialidade do ferramental e pela multiplicidade da aplicação.
Entretanto grande parte dos profissionais continua analisando suas chances de sucesso com base no comportamento e na sistemática adotada pelos empregadores classicos. Dentro do paradigma: grandes empresas para atender grandes empresas fazendo grandes negócios.
Cada vez mais (enfim felizmente) a TI passa a ser demandanda pelas pequenas empresas. Se os grandes usuários já estão sendo atendidas por empresas fornecedoras com forte infraestrutura, não seria mais sábio buscar outros nichos para obter clientes que ficar reclamando pela manutenção de antigas sistemáticas de contratação de serviços?
Para finalizar vou deixar uma provocação porque sei que não poderão me apedrejar pela Internet: Este negócio de ficar reclamando por ações governamentais para regular mercado de trabalho é coisa de funcionário publico.
A Internet constitui-se um forte exemplo da impotencia do Governo em intervir neste mercado que evolui de forma independente mas em cumplicidade com o usuário.
E o setor usuário se alimenta de inovações.
Todos nós precisamos nos alimentar todos os dias. E elegendo o pão como alimento universal: comum por milênios em todas civilizações, faço as perguntas:
Quantos compram o pão de cada dia tomando por base no tamanho da padaria?
Quantos compradores estão preocupados com a hora em que o padeiro acordou, ou quanto ele caminhou de casa até a padaria, ou ainda em que condições de saúde fisica ou mental ele trabalhou?
O que sabemos é que existem aqueles que optam por se aposentar na mesma padaria chic que fica no centro da cidade e que lhes deu o primeiro emprego, e outros que ousam a abrir um pequena em seu bairro e la se tornam o principal padeiro “da área”.
Sugestão final: Não esta gostando ou não acha justo o tratamento de seu empregador com você? Torne-se você mesmo o seu empregador, determine o valor justo da remuneração do seu trabalho, escolha o mercado usuário que melhor te aprouver e promova-se com base de seus próprios critérios no momento que desejar.
Humor: antes de me atirarem pedras é bom saberem que me tornei idoso no ano passado, porem continuo cultuando o empreendedorismo individual.
O problema, Ìcaro, quer você queira ou não e infelizmente, aqui não tem mercado que possa renumerar empresas baianas e seus profissionais tal como São Paulo. O mercado aqui é como se fosse uma pizza brotinho para dividir por muitas pessoas (no caso, empresários). Tentei mostrar algumas saídas (sob o meu ponto de vista), que é o nearshore nacional e produção de softwares para o mercado nacional e até internacional. Mas se você acha, na realidade atual, que há exploração exagerada por parte das empresas, sempre há tempo de se tornar empresário (ou micro-empresário). O ideal é sempre vermos os dois lados da moeda, para ampliar nossas idéias e melhor embasar nosso conhecimento. É como você saparar briga de criança: se quer saber a verdade não pode ouvir só uma.
Abraços e obrigado pela sua visita.
Eh facil falar, mas se nao ganho dinheiro como vou me tranformar em empresario ou praticar o empreendedorismo individual? O mercado pode nao estar bom, mas os empresarios se valem disso para explorar mais ainda.
E eh balela essa estoria que a TI é demandada por pequenas empresas. Talvez elas estejam mais necessitadas – ainda mais com a inclusao digital – mas quem renumera profissionais de TI sao as grandes empresas, o dinheiro vem delas.
Olá,
Fico instigado a falar nessas discurssões pois penso futuramente em abrir um negócio, não entrei na area de TI por nada, e preciso saber o que de fato será proveitoso pra mim, no sentido do que acredito.
É interesante, por outro lado, saber também que nessas discussões as pessoas se valem de suas experiências para referir seu legado diante das condições de mercado atual. Isso é bom pois favorece a diversidade dos tempos na compreensão da situação atual. Mas por outro lado pode incorrer em erros. Falar que o papo de papel do governo nas acções governamentais é coisa de funcionário público não é muito interessante. Pois vejamos.
A primeira coisa é que não se tem definição quais os pappeis de cada setor: universidades, empresa e governo (Governo não Estado). De um lado as universidades produzem conhecimento que se não interessar ao mercado ou até mesmo ao governo ficam descartadas em acabam arquivadas. Por outro temos as empresas que se aproveita em recursos humanos e científicos das universidades e não lhe dá o devido retorno. E no meio de todos está o governo, passível a toda essa situação sem saber como intervir e manter uma interconexão entre os três. Vale ressaltar que ainda sim o governo se aproveita do conhecimento científico para se promover e produzir politicas que lhes interessa. De outro lado, as universidades precisam sair do lugar passivel de utilitarismos das suas estruturas somente para produzir conhecimento sem responsabilidade alguma do ponto de vista do retorno para ela mesma.
Daí temos o sintético, e olhem que busquei ser breve mesmo observando outras nuâncias dessas relações.
Algo que a discurssão sobre a direção do mercado de TI Bahiano deve observar. Espero que as estratégias que foram propostas de Parque Tecnológico entre outras possam possibilitar a mudança de paradgma em relação a situação do mercado baiano. Devemos compreender também que se outras localidades como São Paulo tem uma atividade economica ao nível que se deseja é porque historicamente se constituiu enquanto berço financeiro e isso é diferente da situação da nossa terra, devemos buscar estratégias que nos mobilize e favorecam uma mudança nesse sentido.
Sobre os profissionais que pensam que seus patroes estão pagando mal. Tenta provar estar no lado deles e observem, caso consigam, se não vão adquirir essa compreensão também. Aí eu lhes chamarei do mesmo que chamam os seus hoje. Busquem estratégias de mudança. Não é fácil ser empreendor e isso não depende somente de dinheiro, mas sim vontade e persistência. Ou então vão pra São Paulo e tenta provar do mercado de lá. Se for bom fica por lá mesmo.
A todos que consigamos mudar esse rumo. Se isso é um espaço aberto a discussoes e compreensões fiquem á vontade.
Ola Daniel Nascimento. Estou a sua disposição para alongar esta conversa com mais profundidade no sentido de facilitar sua analise sobre oportunidades de negócios na área da TI da Bahia.
Olá Alberto Oliveira. O Empreendedorismo individual é justamente o caminho para os que não estão obtendo dinheiro dos grandes. Você pode obtar por seguir esta trilha ou ficar eternamente no aguardo que os “grandes” reconheçam seus valores. Se você trabalha na área da tecnologia da informação sabe o quanto vale a boa informação na tomada de decisões. Procure saber mais o que esta acontecendo em sua volta.
Nobre Werther!
Você tocou num assunto importantíssimo e os participantes esqueceram de um ponto importante: o econômico.
A distribuição de renda no nosso estado é cruel para a maioria dos Baianos e provo isto apenas comparando o IDH e o PIB do nosso estado.
A Bahia apesar de ter seu PIB entre os cinco maiores do Brasil, tem seu IDH entre os cinco piores! O que significa isto? Muito dinheiro, e consequente capacidade de investimento, na mão de poucos. Isto é a pior situação que pode existir numa economia pois os investimentos, que geram empregos e fazem crescer a Economia, são decididos por esta minoria que, devido a sua situação, não precisa correr riscos em novos investimentos e investe apenas nos mercados que dominam e controlam os riscos.
Com isto, este “crescimento torto” do nosso Estado. Torto porque os empregos gerados (tão alardeados pelo Governo) são de baixa remuneração (telemarketing, construção civil, comércio varejista, etc), mantendo esta injusta distribuição de renda e consequente situção do nosso estado.
Discordo do ilustre Deraldo com relação a função do governo. O bom governo tem de procurar ser eficiente e eficaz (coisa que não vemos há décadas na Bahia). Precisa ser enxuto e, principalmente, investir e gastar bem o dinheiro arrecado e não atrapalhar os empresários de fora que querem investir saudavelmente no estado e as vezes os locais usam sua força política para impedir este acesso.
O governo tem de saber aproveitar o que tem: temos o maior litoral do Brasil e um rio navegável que corta todo o estado (temos três costas!), porém os investimentos estão concentrados em pouquíssimos polos (Salvador, Camaçari, Barreiras e Juazeiro) Esta desconcentração tem de acabar e é aí que entra o Governo, ele tem de atrair investimentos para que a massa de bons investidores cresça e faça investimentos que possam criar novos polos reais e reduza esta situação injusta do nosso estado. Lembrem do ótimo exemplo: São Paulo! Este estado tem vários polos econômicos contendo milhares de investidores, de todos os tamanhos e tipos. Isto é economicamente saudável!
E a TI nisso tudo? TI é serviço e os serviços crescem se a economia cresce. Sem a concentração de investidores de hoje, o dinheiro/investimento flui mais e surgem novos pequenos e médios empresários com capacidade de pagar melhor aos profissionais mais qualificados tecnicamente. E aí a “exploração dos baixos salários” fica difícil de ser controlada pelos pequenos investidores de hoje.
Há tempos existe essa discussão… Sempre vejo nos jornais matérias falando que está sobrando vagas de emprego em TI por falta de mão-de-obra qualificada e em outras áreas também. Isso é fato, mas creio que, se as empresas (não estou generalizando), mas, a maioria tem essa prática, de querer um profissional, seja ele recém-formado ou em processo de formação que tenha um vasto conhecimento, que para uma pessoa que está se profissionalizando agora e principalmente na nossa região que tem um déficit de cursos e treinamentos em determinadas ferramentas e quando os tem são de custo bastante altos e o poder aquisitivo da maioria é baixo, fica difícil preencher todos ou a maioria dos requisitos esperados pelas empresas. Com isso, quero dizer que deveria haver um maior incentivo das empresas em absorver esses profissionais e treiná-los de acordo com suas necessidades, resolveríamos uma grande parte desse problema. Só que no cenário atual, a maioria das empresas querem um multi-profissional pagando pouco e com uma carga extensiva de trabalho para cumprir seus prazos que geralmente são bastante apertados, e poucas oferecem treinamentos adequados e necessários, trazendo assim profissionais de fora com salários altos para realizar trabalhos que poderiam ser feitos por profissionais locais.
As empresas pagam pouco por vários motivos que citamos aqui nesta discussãoui , mas um muito bom é que o dinheiro movimentado pelos projetos não possui muita folga e a empresa tem que pensar nela mesma e no governo, seu principal sócio, e remunerar os dirigentes. Aqui na Bahia como o mercado é lmitadísimo (pouca demanda) e existem muitos profiissionais (muita oferta), o preço naturalmente cai para a empresa ser mais competitiva. Não é questão de explorar, é questão de sobrevivência.