Programação no Futuro

Com a evolução constante da tecnologia, aplicada tanto aos recursos de hardware quanto aos de software, na área da tecnologia da informação fica uma pergunta inevitável: como será o desenvolvimento de sistemas no futuro? Mas essa pergunta não vem sozinha. Vem acompanhada com uma série de outras perguntas sincronizadas com ela. Vamos divagar aqui sobre algumas (poucas) destas perguntas, não necessariamente respondê-las.

Por exemplo, a figura do programFuturo dos computadoresador vai mudar? A médio e curto prazo, acho que não, mas a longo prazo talvez essa figura fique restrita apenas aos fabricantes de software básico. Acredito que os aplicativos comerciais e/ou corporativos devam passar a ser desenvolvidos por poderosas ferramentas de desenvolvimento focadas nos processos do negócio, sem utilização de códigos de programação como conhecemos hoje. Estas ferramentas teriam interface visual de alta usabilidade e seriam extremamente flexíveis e povoadas de recursos tecnológicos para serem adicionadas ao aplicativo. Seriam responsáveis pelo código binário desenvolvido para que ele possa rodar sobre o sistema operacional, qualquer que seja ele. Seu principal usuário seria o analista de sistema e/ou de negócios.

Outra pergunta que cabe aqui é se os paradigmas hoje adotados para processo de desenvolvimento de sistemas e as “melhores práticas” aceitas atualmente vão sofrer mudanças radicais. Particularmente, acredito que não, até porque processo independe (ou pelo menos deveria independer) do como é feito a sua aplicação, bem como dos recursos tecnológicos disponíveis para tal. Mas devem evoluir, passar por um processo de amadurecimento, o que pode ocasionar a quebra de alguns paradigmas e/ou a formulação de outros. Principalmente se levado em conta que os resultados obtidos oriundos da facilidade tecnológica aplicada ao processo tendem a abrir a visão do profissional de desenvolvimento para outras vertentes não levadas em conta até os dias de hoje.

E o testador e/ou o controle de qualidade do software em desenvolvimento, como ficam? Provavelmente estas mesmas poderosas ferramentas de desenvolvimento dariam todas as medidas necessárias para o acompanhamento do projeto, principalmente se conjugadas a uma ferramenta poderosa de gerenciamento de projetos. Além disso, as ferramentas de testes também iriam evoluir e iriam conversar diretamente com as ferramentas de desenvolvimento, o que agilizaria os testes, tornando quase instantânea a detecção de erros. Mas a figura do homem da qualidade sempre vai existir, pois é ele quem diz a última palavra sobre a liberação de uma versão para produção.

E os modelos internacionais de qualidade no desenvolvimento do software, tais como CMMI e SPICE, iriam ainda existir no futuro? Acredito que sim, pois ainda vão existir humanos – pelo menos, espero que sim :) – engajados no processo de desenvolvimento. E, se vai existir gente, um processo garante melhor os bons resultados do processo. Mas qualquer modelo que existir tem que estar atento às evoluções e mudanças de paradigmas conforme falei antes,  e nas novas vertentes, senão perdem sua credibilidade. Talvez, com a evolução tecnológica que espero, surjam certificações eficazes e cobiçadas de qualidade para ferramentas de desenvolvimento, pois acredito que todo o processo de desenvolvimento, bem como o produto gerado, será regido por software.

Fica a minha divagação por aqui, deixando apenas a certeza sobre as incertezas que o futuro tecnológico nos reserva.

4 Comentários para Programação no Futuro

  • Zeca Moraes

    Legal, Werther, mas acredito que as linguagens de programação não mudem e nem mudem muito o ambiente. Podem aparecer outras, mas não vão fugir de O-O ou imperativa. O ambiente deve evoluir, mas não tanto, afinal os geradores de código até hoje não emplacam. É igual ao Cobol, que pensavem que ia acabar e até hoje anda por aí muito utilizado. Valeu,

  • Fernando Soares

    Hoje em dia já existem ferramentas como voce falou, a exemplo do Maker (conhece?) Ferramentas do Gênero já não são novidades.

  • O maker tende a seguir essa linha, mas está ainda muito longe do que tentei prospectar. Ela ainda depende do programador (sobretudo em necessidades de interfaces mais complexas; ele não trabalha só a nível de regras de negócio, de modo que uma analista de negócios possa ser seu usuário; ela utiliza código de programação do jeito que conhecemos hoje, o que a faz depender de programadores; e se eu não me engano é restrito a ambiente web e plataforma java.

    O maker está no caminho, mas vejo que ainda longe de ser uma ferramenta criadora de aplicações corporativas independente de programador e da forma que falei.

  • Fred

    Avanco tecnológico na Bahia só irá iniciar quando mudarmos nosso “role” de consumidor para produtor. Muito pouco é investimo em pesquisa de ponta, coisa que a UFPE já faz o há 15 anos. O resultado? Recife é um ícone nacional. A Bahia tem profissionais competentes e a mesma capacidade, mas falta organizacao e planejamento a longo prazo.

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